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Um amor de vidas

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Parece que foi ontem que nós brigamos, nos distanciamos e nos separamos.

Depois de tanto tempo juntos, de tantas alegrias e de tanto amor, chegamos ao fim.

O golpe foi muito forte, e eu senti fundo em meu coração e minha alma.

Ainda não me recuperei. Penso em você todos os dias e, principalmente, todas as noites.

Sua lembrança ainda assombra meus pensamentos e meu coração.

Sempre que penso em você ele bate mais rápido como se sentisse sua presença.

Sim, eu ainda não te superei. Apesar de todos os avisos de que “um dia isso passa”.

Não vejo como. Cada dia que passa só fortalece minha certeza de que nascemos um para o outro.

Mas infelizmente esse pensamento é só meu. Você não compartilha deste pensamento. Acho que não.

Já procurei por você várias vezes e até te achei algumas.

Sempre rodeada de amigas e amigos, em boa companhia.

Sempre rindo e feliz, mesmo sabendo que eu estava ali por perto, como se fosse de propósito.

Para piorar meu sentimento ainda te vi acompanhada de novos amores.

Triste te ver ali, nos braços de outro. Todo o meu maior tesouro agora já não era meu.

Pelo menos você estava feliz, e te confesso que isso me fez sorrir… algumas vezes.

Mas a visão era dura e eu preferia sempre partir, poupando o meu já sofrido coração.

Parei de te procurar depois de algum tempo… muito tempo.

Comecei a procurar as lembranças de nós dois. Os lugares. As sensações. Os prazeres.

Visitei todos os lugares do mundo que um dia visitamos… todos… algumas vezes.

Apaixonados, inebriados, ensandecidos, completamente loucos de amor.

Fiquei feliz, muito feliz… algumas vezes. Chorei, e muito… outras vezes.

Um lugar em especial me acolhe todos os anos, na data do nosso primeiro beijo.

Lugar que recebi seu corpo e sua alma como se fosse parte de mim.

Este local está marcado em minha cabeça como a tatuagem que carrego em meu corpo.

Sento ali e consigo ver cada detalhe seu, cada um deles.

Me apaixono mais uma vez pelo seu caminhar, pelo seu sorriso.

Me apaixono cada vez mais pela pessoa que você me apresentou.

Fecho os meus olhos e fico horas sentindo seu cheiro e sua respiração.

Algumas vezes sinto sua mão me tocando… algumas vezes.

Aquela areia que acolheu nossos pés juntos,

Aquele sol que iluminou nossos olhares,

Aquele vento que te empurrou para mim.

Tudo permanece igual, tudo está lá… só falta você.

Quando o sol vai embora leva com ele suas lembranças.

Sou obrigado a acordar do meu sonho, sonho maravilhoso.

Volto para a minha realidade, triste realidade.

Você não está lá. Fecho os olhos firmemente e reabro em seguida.

Não. Você continua ausente.

Me levanto e me despeço do sol olhando para o horizonte.

Consigo sentir sua tristeza em me ver ali sozinho.

Dá para escutar o choro do mar e o pesar da areia batida.

Mais um ano se passou e você não apareceu.

Não importa. Vou te esperar.

O que tivemos foi muito grande para ter acabado.

Nosso amor é muito maior que isso que vivemos hoje.

Um dia você vai cair em si e me procurar.

Neste dia, saiba que estarei esperando.

Te espero no mesmo lugar de sempre.

No mesmo lugar que acolheu nosso primeiro beijo.

Nem que eu tenha de esperar anos, décadas, estarei lá para você.

Nessa e em todas as outras vidas que se seguirão,

Esperarei seu sorriso, seu cheiro e seu toque.

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

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Publicado por em 09/07/2017 em Textos

 

Partida

20170427_102103Parto mais uma vez já pensando em voltar,

esperando na volta o sorriso no seu olhar,

sonhando com seus beijos e seus abraço,

tirando do meu corpo qualquer sombra de cansaço.

Parto mais uma vez querendo ficar contigo,

querendo enxugar do seu rosto o pranto sofrido,

abraçando forte seu corpo contra o meu,

te entregando o que você já sabe que é seu.

Parto mais uma vez sabendo que você me espera,

e que na minha chegada fica ainda mais bela,

com a alegria no rosto e amor no coração,

de quem sabe que eu estou totalmente na mão.

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

 
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Publicado por em 04/06/2017 em Poesia

 

Fui embora


Fui embora…

Não aguentei te ver ali no canto, sem emoção.

Aquele mesmo rosto que tanta alegria causei,

Já não via mais graça nas minhas brincadeiras.

Seu olhar apaixonado já não estava mais ali,

Por mais que eu abrisse todo meu coração para você.

Seu calor tinha ficado no passado,

Onde nossos corpos se atraíam como imãs.

Seu coração já não batia mais por mim,

Mesmo que eu me aproximasse de você.

Não era justo uma moça tão bonita como você,

Perder tempo com uma paixão fria, passada.

Amando você mais do que tudo, te deixei.

Fui embora para te ver feliz,

mesmo que não seja nos meus braços.

Photo by  Junichi Hakoyama

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

 
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Publicado por em 09/04/2017 em Textos

 

Saudades sem fim

Sinto saudade suas… todos os dias.
Foram muitos anos juntos, memoráveis, inesquecíveis.
Suas risadas modestas se tornaram abertas e contagiantes.
Seus olhares complexos, difíceis de entender. Cada um era um enigma gostoso de decifrar.
Sua voz doce entrava pelos meus ouvidos como a brisa do mar entra pela janela, suave e gostosa.
Seus cabelos… ahhh, seus cabelos. Simplesmente hipnotizantes, eles desfilavam ao vento em câmara lenta.
Seus abraços me confortavam e pediam conforto, em um ciclo vicioso que os tornavam quase que eternos.
Seus carinhos eram suaves e intensos, me transportando da ternura materna para a paixão avassaladora em segundos.
Sua respiração me confortava como uma bela canção para dormir.
Sinto muitas saudades suas, muitas.
Sofrimento sem fim, lembrando de cada detalhe seu, todos os dias, o dia todo.
A casa não é mais a mesma, perdeu alegria e amor.
O nosso quarto não tem mais a promessa de noites intermináveis.
Me olho no espelho e sinto falta de um pedaço meu que foi embora com você.
Todos dizem que isso passa e que o tempo é o melhor remédio. Mal sabem eles…
O tempo é um açoite implacável, que machuca inúmeras vezes.
Tantas vezes que você se acostuma com a dor.
Eu não me acostumei. Nunca vou me acostumar.
Sinto saudades de você entrando pela porta, com suas inúmeras bolsas, tirando os sapatos.
Mas hoje só me lembro de você saindo pela mesma, me deixando somente um último olhar.
No chão, uma lágrima. Uma simples gota contendo toda a tristeza do mundo.
Sinto saudades suas… todos os dias.

Photo by Abby Lou

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

 
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Publicado por em 01/01/2017 em Textos

 

Tudo e Nada

Era o fogo que ardia em meu peito,
Virou brasa, cinzas e sujeira.
Era o rio que corria em meu corpo,
Minguou e secou, mostrando seu chão rachado.

Era o vento que batia em meu rosto,
Esvaiu e nem pena levanta mais.
Era a luz que brilhava em meus olhos,
Apagou e mostrou sua face na escuridão.

Era o arrepio na nuca, no corpo, nos pelos.
Era a batida descompassada do meu coração.
Era o suor que escorria pelas minhas mãos.
Era o desejar, o querer, o gostar e o amar.

Não é mais nada além de dor e ressentimento.
Arrependimento da entrega, da doação e da renúncia.
Dor de quem já teve mais do que tudo,
E hoje tem menos do que nada.

Sofrimento de quem trilhou o caminho do paraíso,
Para chegar a lugar nenhum,
Sem fogo nem vento, sem rio nem luz.
Sem nada. Menos do que nada.

Photo by Astrid Riecken

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Publicado por em 27/12/2016 em Textos

 

Ciclos

  

Por mais duro que possa parecer, tudo tem seu fim.A vida é feita de ciclos e é isso que a faz tão bela!

A infância nasce dependente dos pais e se liberta com a irresponsabilidade da adolescência.

A adolescência nasce na irresponsabilidade e se finda na dura realidade das responsabilidades.

O amor jovial não nasce do desejo e sim do brilho no olhar, no arrepio da pele e finda muitas vezes na solidão a dois. Os mais sortudos tem o fim na despedida eterna do parceiro.

A amizade, tão venerada por muitos, nasce da inocência, imaturidade e confiança, findando no desgosto e frustração. Poucas sobrevivem até o fim dos dias terrenos e a maioria é encostada nas prateleiras da vida.

A vida passa rápido, passa devagar, às vezes parece que parou, mas nunca para. Nunca.

É nessa velocidade inconstante que não nos damos conta de quantos ciclos são iniciados e encerrados em nossa trilha individual.

Com o tempo, aprendemos a ver e ouvir os detalhes e, assim, dar o devido valor à beleza do início de um ciclo. Seja uma nova amizade, mais um novo amor, um novo trabalho ou até mesmo um simples momento sozinho vendo o mar, o céu, a si mesmo. Também aprendemos a conter as lágrimas no fim dos ciclos. Seja uma briga, uma frustração, uma mudança de cidade, de escola ou até mesmo de trabalho. Mas nada dói mais do que uma despedida…

Photo by Astrid Riecken

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Publicado por em 03/12/2015 em Textos

 

Seguir em frente

O vento era calmo e constante, chegava a deslizar carinhosamente em meu rosto.

O chão plano e firme, dando segurança e determinação para as minhas pernas.

A paisagem clara e reluzente tranquilizava meus olhos e minha mente.

Nada podia dar errado. Estava tudo ali, era só seguir em frente. Não, não era…

De forma rápida e silenciosa, tudo mudou. E muito…

O vento era indeciso e cruel, castigando minha face com variacões de velocidade e temperatura.

O chão se transformou em uma grande massa de areia, subindo, descendo e mudando a cada metro.

A paisagem agora me levava ao desespero, sem visibilidade, sem horizonte e sem beleza, somente o vazio.

Diante de todas estas mudanças, somente uma pergunta ecoava em minha mente: por que?

Será que isso é um castigo? Uma punição pelas coisas que eu fiz? Ou pelo que eu não fiz?

Foi aquela mãe de família que eu demiti porque não me entregou o relatório?

Foi o pobre homem sem teto que eu não ajudei? O presente do meu sobrinho que eu não dei?

Em que encruzilhada escolhi o caminho errado? Qual a placa que não li?

Posso voltar atrás? Não. Infelizmente não.

Mas depois de muito refletir, percebi que não foi um ato que me levou ali e sim uma vida.

Eu não podia mais mudar as minhas ações do passado, mas posso escolher as do futuro.

E com isso, posso escrever um novo e melhor capítulo na história da minha vida.

Para conseguir isso, primeiramente eu preciso seguir em frente…

Photo by Nagesh Mahadev

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Publicado por em 05/06/2015 em Textos

 

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