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Fui embora


Fui embora…

Não aguentei te ver ali no canto, sem emoção.

Aquele mesmo rosto que tanta alegria causei,

Já não via mais graça nas minhas brincadeiras.

Seu olhar apaixonado já não estava mais ali,

Por mais que eu abrisse todo meu coração para você.

Seu calor tinha ficado no passado,

Onde nossos corpos se atraíam como imãs.

Seu coração já não batia mais por mim,

Mesmo que eu me aproximasse de você.

Não era justo uma moça tão bonita como você,

Perder tempo com uma paixão fria, passada.

Amando você mais do que tudo, te deixei.

Fui embora para te ver feliz,

mesmo que não seja nos meus braços.

Photo by  Junichi Hakoyama

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

 
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Publicado por em 09/04/2017 em Textos

 

Saudades sem fim

Sinto saudade suas… todos os dias.
Foram muitos anos juntos, memoráveis, inesquecíveis.
Suas risadas modestas se tornaram abertas e contagiantes.
Seus olhares complexos, difíceis de entender. Cada um era um enigma gostoso de decifrar.
Sua voz doce entrava pelos meus ouvidos como a brisa do mar entra pela janela, suave e gostosa.
Seus cabelos… ahhh, seus cabelos. Simplesmente hipnotizantes, eles desfilavam ao vento em câmara lenta.
Seus abraços me confortavam e pediam conforto, em um ciclo vicioso que os tornavam quase que eternos.
Seus carinhos eram suaves e intensos, me transportando da ternura materna para a paixão avassaladora em segundos.
Sua respiração me confortava como uma bela canção para dormir.
Sinto muitas saudades suas, muitas.
Sofrimento sem fim, lembrando de cada detalhe seu, todos os dias, o dia todo.
A casa não é mais a mesma, perdeu alegria e amor.
O nosso quarto não tem mais a promessa de noites intermináveis.
Me olho no espelho e sinto falta de um pedaço meu que foi embora com você.
Todos dizem que isso passa e que o tempo é o melhor remédio. Mal sabem eles…
O tempo é um açoite implacável, que machuca inúmeras vezes.
Tantas vezes que você se acostuma com a dor.
Eu não me acostumei. Nunca vou me acostumar.
Sinto saudades de você entrando pela porta, com suas inúmeras bolsas, tirando os sapatos.
Mas hoje só me lembro de você saindo pela mesma, me deixando somente um último olhar.
No chão, uma lágrima. Uma simples gota contendo toda a tristeza do mundo.
Sinto saudades suas… todos os dias.

Photo by Abby Lou

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

 
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Publicado por em 01/01/2017 em Textos

 

Tudo e Nada

Era o fogo que ardia em meu peito,
Virou brasa, cinzas e sujeira.
Era o rio que corria em meu corpo,
Minguou e secou, mostrando seu chão rachado.

Era o vento que batia em meu rosto,
Esvaiu e nem pena levanta mais.
Era a luz que brilhava em meus olhos,
Apagou e mostrou sua face na escuridão.

Era o arrepio na nuca, no corpo, nos pelos.
Era a batida descompassada do meu coração.
Era o suor que escorria pelas minhas mãos.
Era o desejar, o querer, o gostar e o amar.

Não é mais nada além de dor e ressentimento.
Arrependimento da entrega, da doação e da renúncia.
Dor de quem já teve mais do que tudo,
E hoje tem menos do que nada.

Sofrimento de quem trilhou o caminho do paraíso,
Para chegar a lugar nenhum,
Sem fogo nem vento, sem rio nem luz.
Sem nada. Menos do que nada.

Photo by Astrid Riecken

Licença Creative Commons Este trabalho de André Martins, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada

 
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Publicado por em 27/12/2016 em Textos

 

Ciclos

  

Por mais duro que possa parecer, tudo tem seu fim.A vida é feita de ciclos e é isso que a faz tão bela!

A infância nasce dependente dos pais e se liberta com a irresponsabilidade da adolescência.

A adolescência nasce na irresponsabilidade e se finda na dura realidade das responsabilidades.

O amor jovial não nasce do desejo e sim do brilho no olhar, no arrepio da pele e finda muitas vezes na solidão a dois. Os mais sortudos tem o fim na despedida eterna do parceiro.

A amizade, tão venerada por muitos, nasce da inocência, imaturidade e confiança, findando no desgosto e frustração. Poucas sobrevivem até o fim dos dias terrenos e a maioria é encostada nas prateleiras da vida.

A vida passa rápido, passa devagar, às vezes parece que parou, mas nunca para. Nunca.

É nessa velocidade inconstante que não nos damos conta de quantos ciclos são iniciados e encerrados em nossa trilha individual.

Com o tempo, aprendemos a ver e ouvir os detalhes e, assim, dar o devido valor à beleza do início de um ciclo. Seja uma nova amizade, mais um novo amor, um novo trabalho ou até mesmo um simples momento sozinho vendo o mar, o céu, a si mesmo. Também aprendemos a conter as lágrimas no fim dos ciclos. Seja uma briga, uma frustração, uma mudança de cidade, de escola ou até mesmo de trabalho. Mas nada dói mais do que uma despedida…

Photo by Astrid Riecken

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Publicado por em 03/12/2015 em Textos

 

Seguir em frente

O vento era calmo e constante, chegava a deslizar carinhosamente em meu rosto.

O chão plano e firme, dando segurança e determinação para as minhas pernas.

A paisagem clara e reluzente tranquilizava meus olhos e minha mente.

Nada podia dar errado. Estava tudo ali, era só seguir em frente. Não, não era…

De forma rápida e silenciosa, tudo mudou. E muito…

O vento era indeciso e cruel, castigando minha face com variacões de velocidade e temperatura.

O chão se transformou em uma grande massa de areia, subindo, descendo e mudando a cada metro.

A paisagem agora me levava ao desespero, sem visibilidade, sem horizonte e sem beleza, somente o vazio.

Diante de todas estas mudanças, somente uma pergunta ecoava em minha mente: por que?

Será que isso é um castigo? Uma punição pelas coisas que eu fiz? Ou pelo que eu não fiz?

Foi aquela mãe de família que eu demiti porque não me entregou o relatório?

Foi o pobre homem sem teto que eu não ajudei? O presente do meu sobrinho que eu não dei?

Em que encruzilhada escolhi o caminho errado? Qual a placa que não li?

Posso voltar atrás? Não. Infelizmente não.

Mas depois de muito refletir, percebi que não foi um ato que me levou ali e sim uma vida.

Eu não podia mais mudar as minhas ações do passado, mas posso escolher as do futuro.

E com isso, posso escrever um novo e melhor capítulo na história da minha vida.

Para conseguir isso, primeiramente eu preciso seguir em frente…

Photo by Nagesh Mahadev

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Publicado por em 05/06/2015 em Textos

 

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Parabéns, Rio! 450 anos!



Sou carioca da gema, nascido na Tijuca e criado no Bairro de Fátima. Nunca fui um daqueles playboys cariocas, pois nunca tive dinheiro para isso. Ao contrário, tudo era muito suado. Desde os 14 anos comecei a fazer bicos para tirar uma grana e curtir as coisas boas da vida.

Passei pelos bairros do Flamengo, Centro, Cruz Vermelha, Bairro de Fátima e Copacabana. Vivi e convivi com vários grupos do Rio. Mas sem dúvida, o período da ACM, com os amigos do Bairro de Fátima foi o mais carioca de todos. Praia, esportes e festas, combinação mais carioca impossível!

Desde 1999 sai do Rio, e passei pelas cidades de Natal, João Pessoa, Recife, Maceió e agora estou morando em São Paulo, e nestas cidades aprendi que o “jeito” carioca não é tão bem visto assim. Sofri alguns preconceitos e aprendi a ser um carioca comedido, com sotaque suprimido e postura mais neutra.

As lembranças que guardo desta cidade estão gravadas de uma maneira única na minha mente e no meu coração. Só quem pegou onda no Leme, frequentou as festas nas casas faraônicas do Joá, correu os circuitos da Barra, pegou bondinho em Santa Teresa, frequentou os bailes funks de Imbariê, jogou bola no Aterro do Flamengo, andou de bike nas Paineiras, viu os shows da Blitz e Barão Vermelho na apoteose, esteve no Maracanã em um Fla X Flu e viu o Zico jogar, frequentou as festas de rua do Bairro de Fátima, tomou sorvete na MiliMello, comeu as carnes do Porção, entre tantas outras coisas cariocas, sabe o que esta bela cidade é capaz de proporcionar aos seus habitantes.

Rio de Janeiro, morro de saudades de você! Saudades que minimizo periodicamente, mas não acaba nunca!

*credito da bela foto para Luiz Felipe Lopes Dias

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Publicado por em 01/03/2015 em Textos

 

Meus pensamentos

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O sono não vem… Já me acostumei a isso.
Meus pensamentos insistem em querer conversar,
Bem na hora que mais preciso descansar.
Me perguntam e questionam o porquê de tudo,
E eu insisto em manter meu silêncio.
Questionam as minhas mais consistentes decisões,
Como se fossem obviamente erradas.
Eles foram ficando mais e mais eloquentes,
Ao longo de quase meio século.
O tempo fez bem a eles,
Pois estão ganhando mais e mais forma.
Meus pensamentos já não são mais só isso,
Tem forma, cheiro e gosto.
Sentem saudades dos meus sonhos,
Os quais cansaram de esperar sua aparição, em vão, e se foram.
Sentem saudades das minhas vontades,
As quais foram expulsas pelas renúncias que tomaram terreno.
Mas sentem mais saudades das minhas alegrias,
As quais lutaram bravamente para manter seu espaço,
Mas foram sobrepujadas pela mórbida rotina da vida.
Meus pensamentos sãos meus atuais companheiros,
Que me lebram noite após noite de duas pessoas bem distintas:
Quem eu queria ser, e quem hoje eu sou.

Photo by Benjamin Lowy

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Publicado por em 14/12/2014 em Textos

 
 
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